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Cozido (da mamãe)

Quando o mau humor estava no auge e a crise de gastrite dava sinais de trégua, minha mãe me chamou pra jantar na casa dela. Casa de mãe é sempre remédio, acreditem. Melhor ainda se ela está inspirada na cozinha. Era o caso da minha, que fez um panelaço de cozido.

panela

Desde que eu era uma criança magrela mamãe faz essa receita, e me dei conta que eu nunca freqüentei outras casas onde se fazia um cozido semelhante. É reconfortante, não muito gorduroso, barato de fazer e rende pra dedéu.

Para acompanhar, sugiro maionese. Diz a lenda que minha avó preparava uma caseira com alho, mas eu comi com uma genérica-light mesmo. Vale montar a mesa também com mostardas variadas (escura, com mel, com curry, extra forte, com ervas), arroz branco e, como indica mamãe, “uma farofinha feita com farinha de rosca fina, cebola e salsinha, puxadinha na manteiga”.

Eis a receita, com dicas da mamãe:
(Eu num canso de escrever “mamãe”, me bateu uma meiguice hoje…)

Ingredientes:

½ quilo de músculo, limpo e cortado em fatias grossas
1 paio magro
250 g de costelinha defumada ou lombo defumado

Calcule quanto você vai gastar com as carnes

4 batatas
3 cenouras
3 mandioquinhas
2 batatas doces
300 g de abóbora japonesa (é a mais difícil de descascar, mas a mais gostosa)

Pesquise o preço dos legumes

½ repolho médio (pode ser trocado ou acompanhado por couve)
3 ovos cozidos (de preferência ovo caipira)
1 cebola (triturada)
2 dentes de alho ( amassados ou inteiros- caso prefira só aromatizar o caldo, retirar depois da carne estar cozida)
½ pimentão verde
1 talo de salsão
Salsinha e cebolinha picadas
Sal

Modo de preparo:
Refogue rapidamente o músculo com a cebola e o alho e cozinhe em 1 litro de água. Quando estiver macio, acrescente outras carnes – de preferência em pedaços não muito grandes – o pimentão, o salsão, o sal (melhor acrescentar aos poucos e ir provando) e mais ½ litro de água quente.  Quando o caldo  reduzir um pouco e as carnes estiverem macias ( não desfazendo), reserve-as em separado. Cozinhar no caldo os legumes, seguindo a ordem: cenoura, batata, mandioquinha e abóbora.

Verifique o cozimento com um garfo até sentir que os legumes estão tenros. Volte as carnes para a panela. Coloque os ovos cozidos descascados e inteiros e o repolho, cortado em pedaços grandes. Acrescente a salsa e a cebolinha. Tampe a panela e deixe finalizar em fogo bem baixinho. Cubra com  azeite extra-virgem, “do mais bacana que conseguir. Azeite bom não é despesa, é investimento!” – Mamãe sabe das coisas, mano.

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Dicas da mamãe:
Não mexa muito para não quebrar os legumes cozidos. Corte a cenoura em pedaços menores que os demais legumes.

Cortar os legumes em formatos diferentes, para serem melhor identificados (sempre tem alguém que não gosta de alguma coisa) - Cara, essa sugestão foi muito de mãe!

Colocar 1 ovo para cada pessoa que vai comer (ou mais, se for gente bem esfomeada) – Esfomeada  quem, mamãe?

Apesar da demora relativa, os legumes podem ser colocados depois dos convidados chegarem, que servirão de companhia bebendo sangria e papeando na cozinha. - Sangria? Ô mãe, tu num me serviu nem coca cola, pô!

Se a idéia for comer sozinho, pense em congelar e ter cozido para os próximos 6 meses no freezer. Fazer em quantidades muito pequenas não vale o trabalho. Antes de congelar, reserve uma porção na geladeira para o dia seguinte. Fica bem mais saboroso, mesmo que um pouco “desmantelado”.

Se não tiver panela grande, nem comece o preparo antes de bater no vizinho e pedir uma emprestada. Se o vizinho for do tipo “simpaticão”, convide-o para o almoço. (Simpaticão quer dizer bonito, né?). Caso contrário, devolva a panela (lavada, pelo amor de Deus!) com uma porçãozinha de sua arte em uma tigelinha bonita ( isso vai gerar um vai e vem de tigelas e panelas mas vale a pena e estreita seus laços com a comunidade!) - Laços com a comunidade? Olha a mamãe tucanando o xaveco…

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O melhor lanche de rua

Nas noites de quinta a sábado, entre 23:30h e 5:00h, Ervi Vitor, o “Hervi”, estaciona sua Kombi na esquina das ruas Mourato Coelho e Cardeal Arcoverde, em São Paulo. Desde 1997, é lá que ele serve lanches caseiros e originais, a preços imbatíveis.

Sanduíche de trailer é o tipo de coisa que a gente come de improviso, indo de um lugar para o outro, ou para matar a fome “pós balada”. Mas o Hervi é uma exceção. É o caso de sair de casa só para ir até ele.

Um destaque são os sanduíches naturais (foto), servidos em fatias quentinhas de pão de ervas, feito pela mulher de Ervi – também responsável pelos recheios: pasta de queijo, frango ou berinjela. Os lanches são montados com alface, tomate, cenoura e milho e custam R$ 3,50. Você corre o risco de ficar viciado no pão de ervas, que é macio e saboroso. Se isso acontecer, leve para casa um inteiro, por R$ 5.

Sem prato nem banco: a idéia é comer de pé o lanche, que vem enrolado em papel toalha

Outra sugestão é o sanduba de carne desfiada, que Hervi traz feita de casa em uma panela de pressão. Com cenoura ralada e vinagrete, pode ser feito no pão francês ou de ervas. O preço: R$ 3. Faz você se sentir roubado por muita lanchonete sem vergonha, não é?

Hervi

R. Mourato Coelho, s/nº (esq. com R. Cardeal Arcoverde)
Vl. Madalena – São Paulo

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Comfort food

Algumas comidinhas em especial me deixam feliz. São um santo remédio para aquela tristeza-feminina-sem-explicação, saudade, carência e frio. E eu sinto muito frio entre maio e setembro.

Meus principais pratos de conforto são aqueles que eu comia quando morava com a mamãe ou visitava a vovó. Eles têm gosto de domingo e cheiro de família.

Contei tudo isso para falar da carne moída com arroz, feijão e purê de batata do Marajá. É a combinação super caseira que o restaurante-padaria oferece por R$ 7,50. Adoro!

Júlia Reis

Almoço de criança? A travessa serve bem
um esfomeado (eu?) ou dois comedidos.

O estabelecimento funciona no centro de São Paulo desde 1967 e tem excelente custo benefício – um dos motivos pelo qual está sempre cheio. É dividido em dois ambientes, com cardápios diferentes: as mesas na calçada, onde os preços são menores e as porções maiores; e um salão, que é mais arrumadinho e com pratos individuais. Dentro tem toalha de mesa e servem chopp Brahma. Fora servem cervejas em garrafa de 600ml, com jogos americanos de papel.

Júlia Reis

Nas mesas na calçada, o cardápio e o saleiro são de plástico.
Apesar de ficar mais apertado, quem fica lá fora não perde nada.

Outro destaque do Marajá é a saborosíssima feijoada de sábado, servida com arroz, farofa e couve. A grande dá para duas pessoas e é uma das melhores que eu conheço. Vale pedir também o bife à parmegiana (R$ 10), outra super-comfort food.

Marajá
R. Martins Fontes, 153
Consolação – Centro – São Paulo
(11) 3104-8727

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